11/03/2015

Ursa enjaulada morre ao morder os pulsos e motiva criação de santuário

Esta matéria do Globo Repórter foi linda. Se quiser ver CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO:



Não é à toa que tanta gente relacione a Romênia a histórias fantásticas, cheias de mistério, algumas até sobrenaturais. O país, um dos mais pobres da Europa, ainda é pouco conhecido por nós. E é cheio de surpresas, de belezas e de contrastes.

A equipe do Globo Repórter foi até a Romênia no meio do outono, quando a neve já tinha dado as
caras. Nessa época, as florestas ganham tons dourados, são as faias. Com o frio, as folhas das árvores vão secando e caindo dos galhos. Um cenário de conto de fadas. E é onde vive o maior carnívoro do continente europeu: o urso pardo.

As florestas da Romênia concentram 60% da população de ursos pardos de toda a Europa. Calcula-se que existam pelo menos 8 mil animais. Nos limites do Parque Nacional é onde os ursos podem ser vistos com uma certa frequência, mas vê-los é uma questão de sorte. O parque fica bem no meio dos Cárpatos, a segunda maior cadeia de montanhas do continente europeu.

Em uma floresta típica da região estão os três maiores carnívoros da Europa: o urso o lobo e o lince. Não demora muito e a equipe do Globo Repórter encontra indícios de que está no caminho certo, pois marcas feitas por um urso são encontradas. Eles fazem isso para marcar o território deles. Os ursos pardos dessa região podem passar dos 400 quilos. No outono, eles se preparam para os meses de neve e devoram tudo o que encontram pela frente: frutas, raízes, pequenos animais.

“Ao contrário do que as pessoas pensam, os ursos não são agressivos. Eles são muito tímidos e só vão atacar alguém se forem surpreendidos. Quando percebem a presença humana, eles fogem rapidamente para a floresta”, explica o fotógrafo que acompanhava a equipe.

A equipe do Globo Repórter fica alojada em uma cabana toda de vidro, que foi construída para que turistas possam ver os ursos com segurança, como uma torre de observação. Nos arredores da cabana, pedaços de carne foram espalhados. A espera é um teste de paciência, e quando já está quase anoitecendo, eles chegam: uma ursa e três filhotes. A família avança direto para a comida.

Caça de ursos é permitida na Romênia
Dona ursa é arisca, parece desconfiar da fartura. Pega porções de carne e volta correndo para a mata, já os filhotes ficam divididos. Não sabem se acompanham a mãe ou se aproveitam o banquete.
A caça destes animais é permitida na Romênia, mas o número de pessoas que vai até a floresta apenas para observá-los a distância tem sido cada vez maior. “Nos últimos anos, este turismo de observação se tornou muito lucrativo e os mesmos abrigos que eram usados por caçadores, agora estão sendo usados por pessoas que vão até lá só com câmeras e não mais com armas”, conta o fotógrafo. Já foi muito comum os ursos pardos serem capturados nas florestas da Romênia. Presos em jaulas, os animais acabavam morrendo em precárias condições, uma situação que começa a mudar no país.

No santuário dos ursos, em Zarnesti, região central do país, vivem 81 ursos e também alguns lobos. Antes de serem trazidos para lá, muitos desses animais nunca tinham vivido fora de uma jaula. O santuário se mantém com doações e foi fundado pela ambientalista Cristina Lapis, nove anos atrás, depois que uma ursa morreu nos braços dela.
“Talvez seja infantil da minha parte, mas eu prometi para ela que nenhum outro urso morreria naquelas condições. A Maya vivia em uma jaula e mordeu os próprios punhos. Nós tentamos de tudo para salvá-la, mas ela simplesmente se recusou a continuar vivendo daquele jeito, conta a ambientalista Cristina Lapis.

Urso morre poucos dias depois da visita do Globo Repórter
Cristina está tentando resgatar mais 20 ursos, mas acredita que o santuário ainda não é a solução.
“Mesmo que este santuário seja um refúgio cinco estrelas, mesmo que fosse considerado o melhor abrigo mundo e mesmo que os ursos pareçam felizes aqui, em algum lugar existe uma cerca. E esta cerca vai sempre lembrar que eles nunca serão livres”, lamenta Cristina.

Poucos dias depois da visita da equipe do Globo Repórter ao santuário, príncipe Charles, o urso mais velho do abrigo, morreu. Em mais de 40 anos, o velho urso viveu apenas os últimos três fora de uma jaula.
“Hoje, a gente consegue ver um urso bem de pertinho, na tv. Não precisamos mais de circos e zoológicos como há dois mil anos. Então, nós queremos mostrar que os animais selvagens devem ser deixados na floresta, na natureza, que é o lugar deles”, afirma a ambientalista Cristina Lapis.

2 comentários:

  1. Eu vi um trecho desse Globo Repórter que, nesse caso, teve início com essa declaração. Quiça todos pensassem assim.

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  2. Fico eu com vontade de morder meus pulsos ao ler uma notícia dessa. O ser humano não admite ser enjaulado, mas é perito em enjaular as outras espécies e pior, animais que não cometeram nenhum crime como ele!

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