08/08/2015

Prevenção de incêndios florestais é a nova tarefa do burro mirandês

Mais um caso de uso inteligente dos recursos naturais.....
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O gado asinino ganha um novo fôlego num projecto que recorre ao burro mirandês para prevenir incêndios florestais na região do Rio Sabor.

De um lado está uma espécie que poderá não existir daqui a 50 anos, que já poucos criam pois não lhe atribuem utilidade. Do outro estão terrenos carregados de combustível, prontos a arder. Conjugar estes dois problemas pode vir a constituir-se como uma das soluções para os resolver, anulando-se mutuamente. A ideia é colocar o burro mirandês a pastar em
determinadas áreas, criando faixas contínuas de terreno limpo que servem de barreiras naturais aos incêndios - sem mato, não têm como progredir. A experiência vai estar no terreno no próximo ano.

A responsabilidade do projecto está nas mãos da Associação para Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que, recentemente, divulgou um estudo dando conta da ameaça de extinção que pesa sobre o burro mirandês. Trata-se do aproveitamento de zonas agrícolas abandonadas, como lameiros e prados, onde os burros poderão alimentar-se e, ao mesmo tempo, “limpar” e impedir que estas faixas de terreno funcionem como combustível para a possíveis incêndios. “O abandono agrícola propicia os fogos florestais e a aptidão natural desta espécie para as ervas dos lameiros vem combater isso”, explica ao PÚBLICO Miguel Nóvoa, secretário técnico da associação.

O bem-estar animal é algo que AEPGA privilegia pelo que as zonas definidas ao longo do vale do Rio Sabor para o projecto, já foram limpas e preparadas para receber os animais. “Os burros são uma espécie fácil de domesticar, mas não deixamos de assegurar a água e os suplementos alimentares necessários”, garante Miguel Nóvoa. A preocupação em desenvolver estudos sobre a espécie  de forma a melhor "conhecer o animal" e encontrar soluções para evitar o seu desaparecimento tornou óbvia a parceria com o Departamento de Ciência Veterinária da UTAD.

O projecto-piloto pretende estar no terreno durante o Outono e a Primavera, prevendo-se colocar cerca de 10 animais por cada hectare. As chamadas “faixas de redução de incêndio” vão impedir que, caso um fogo deflagre em alguma região, a zona "lavrada pelos burros" funcione como uma possível “barreira”. A Associação para Estudo e Protecção do Gado Asinino, que reúne criadores e admiradores deste gado, vai disponibilizar alguns dos seus animais para participarem nesta iniciativa.

A utilização de animais no combate aos incêndios não é inédito. Há já várias experiências a decorrer no país com recurso a cabras. O objectivo é o mesmo: diminuir a carga combustível em terrenos considerados cruciais na evolução - ou não - do fogo. Por isso, é necessário um acompanhamento técnico - no caso facilitado pela UTAD - para que a acção decorra em zonas que podem servir de tampão à evolução das chamas.

Acresce uma outra vantagem: a redução de custos na criação destes animais. Os burros que normalmente se alimentam em lameiros particulares, podem agora garantir parte da sua alimentação diária em zonas desaproveitadas. Assim, tenta-se também combater o abandono progressivo da criação destes animais que é, segundo o estudo de Miguel Quaresma, médico veterinário  da UTAD, o problema que mais ameaça a preservação da espécie. Estimam-se em “600 indivíduos a população reprodutiva, que está envelhecida, onde menos de metade das fêmeas de raça pura registadas pariram e algumas pariram uma única vez”, sustenta o investigador.

A par da economia, vem a manutenção da paisagem e a colocação do animal ao serviço do ecossistema. “A maioria das pessoas desconhece a importância que o burro mirandês tem na salvaguarda dos terrenos agrícolas”, argumenta o membro da AEPGA, lembrando que este bicho vai onde o tractor não vai e de uma forma muito menos agressiva para o chão que pisa.

É esperado que o projecto tenha início no terreno, na Primavera de próximo ano.

FONTE: PublicoPT

Um comentário:

  1. É um alivio saber que ainda existem pessoas que fazem uso de seus cérebros, salvando vidas e o planeta, pois metade da humanidade não sabe nem para que serve o cérebro ou simplesmente, não tem.

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